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Por todo o mundo a opressão contra as mulheres está em discussão. Hoje, Dia Internacional da Mulher, uma greve foi convocada em diversos países. Em muitos outros, como no Brasil, haverá manifestações, marchas e reuniões. A categoria dos servidores de Joinville, Garuva e Itapoá é, na verdade, majoritariamente das servidoras – composta por mais de 70% de mulheres. O Sinsej orgulha-se de representar estas guerreiras e, na data de hoje, relembra o histórico de lutas e de classe do movimento das mulheres trabalhadoras.

Neste dia 8 de março, às 19 horas, o auditório do sindicato irá sediar o lançamento do movimento Mulheres pelo Socialismo em Joinville. O Sinsej apoia esta organização e convida a todas as trabalhadoras e trabalhadores para participar.

Violência, exploração e opressão

Nos últimos anos temos visto movimentos massivos pelos direitos das mulheres, como quando Trump tomou posse. No Brasil, tem havido manifestações nos grandes centros. Também na Polônia, contra leis de aborto mais rigorosas; na Argentina e no México, em oposição à violência contra as mulheres; na Irlanda, sobre a questão do casamento homoafetivo; entre outros lugares. Trabalhadores, e especialmente a juventude, estão começando a se mover para mudar suas vidas e atuar contra qualquer forma de opressão ou discriminação.

A crise do capitalismo teve sérios efeitos nas condições de vida das mulheres. Em todos os países, elas carregaram os cortes sistemáticos de diversos serviços sociais, entre eles a Previdência. Isso se soma às responsabilidades tradicionais de cuidar das crianças, dos idosos e dos mais fracos. Os salários, que já são menores para as mulheres do que para os homens, estão sendo cortados. Há aumento de demissões, empregos precários e insegurança. Tudo isso afeta desproporcionalmente a vida das mulheres. Muitas vezes, com a dificuldade de conquistar independência financeira, elas não podem abandonar relacionamentos abusivos.

Os problemas enfrentados pelas mulheres não são “apenas” de caráter material. A opressão está impregnada no sistema judicial, onde mulheres lidam com leis antiaborto discriminatórias e onde, de maneira geral, mulheres e outros grupos oprimidos não são tratados como iguais. Essa opressão é reforçada pela classe dominante através da ideologia, da mídia de massa, do sistema educacional e assim por diante.

Há também a questão da violência e do assédio sexual. No Brasil, 137 estupros foram cometidos por dia em 2017. No Paquistão, garotas ainda são estupradas e mulheres assassinadas em homicídios de honra (homicídios executados pelos próprios membros da família). Nos EUA, uma a cada seis mulheres irão sofrer um estupro ou uma tentativa de estupro durante sua vida, enquanto 99% dos estupradores não serão punidos.

Importância da unidade da classe trabalhadora

Por todo o mundo, aumenta a resistência contra a opressão, intolerância e sexismo. Mas é importante questionar qual a melhor maneira de fazer isso. A libertação das mulheres não pode ser separada da luta contra o capitalismo, pois a opressão é uma parte inerente desta sociedade de exploração e, portanto, só pode ser combatida como uma parte da luta de classes geral.

Foi a Internacional Socialista (Segunda Internacional) que declarou 8 de março como Dia Internacional da Mulher, em 1910, uma data para as exigências das trabalhadoras. Naquela época, uma das principais bandeiras era pelo direito ao voto. As mulheres das classes superiores e da pequena burguesia, que lideravam o movimento, viam a luta pelo voto como única. Já o movimento dos trabalhadores a enxergava como uma oportunidade de lutar pela igualdade e pela emancipação de todas as mulheres. É por isso que os fundadores do Dia da Mulher fizeram questão de enfatizar que ele na era, na verdade, o Dia das Mulheres Trabalhadoras.

Para as mulheres ricas, lutar pela igualdade era o mesmo que lutar para ter os mesmos privilégios dos homens de sua classe. Para as trabalhadoras, isso pouco mudava algo. Tatcher, na Grã-Bretanha, e Angela Merkel, na Alemanha, não tornaram a vida das mulheres melhor. Assim como se Hillary Clinton tivesse se tornado presidente dos EUA, não teria melhorado a situação das mulheres do seu país nem dos países sujeitos à intervenção imperialista norte-americana. Assim como acontece com a sociedade em geral, as carreiras das mulheres políticas, executivas e acadêmicas são baseadas no trabalho mal remunerado das mulheres que limpam, cozinham e cuidam de seus filhos por elas.

Houve muito progresso desde o primeiro Dia das Mulheres em 1910, mas ainda não existe uma verdadeira igualdade. Isso porque a opressão tem sua origem na sociedade de classes, assim como o abuso, a violência, o sexismo e a intolerância. Só é possível derrubá-la totalmente, arrancando a raiz do problema.

Para isso, é preciso unidade da classe trabalhadora. A pequena camada no topo da sociedade que enriquece através do trabalho não pago a bilhões de seres humanos só se mantém no poder usando a tática de dividir pra conquistar. Os trabalhadores são separados de acordo com sua nacionalidade, religião, orientação sexual, gênero etc. O movimento de luta das mulheres não pode cair nesta armadilha. O único meio de combate à opressão feminina é a luta ombro a ombro das mulheres e homens da classe trabalhadora, junto à juventude, utilizando seus históricos métodos de luta.

A luta das mulheres é pela emancipação de toda humanidade

Com certeza é um sinal de mudança quando as camadas mais oprimidas, como as mulheres, começam a se mover. Mas o capitalismo não irá desaparecer sozinho. Ele precisa do empurrão da força da classe trabalhadora e da construção de uma sociedade socialista.

Apenas com um sistema em que a riqueza produzida vá para o benefício da maioria, será possível diminuir jornadas de trabalho, alocar recursos para bem-estar social e para desenvolver formas de livrar as mulheres do trabalho doméstico, como construindo asilos e creches, melhorando os sistemas de saúde, dando direito à educação pública universal, ofertando alimentação, limpeza e serviços.

Apenas por meio da conquista destas bases materiais mulheres e homens serão verdadeiramente livres para buscar seus potenciais como seres humanos. Quando estes alicerces da desigualdade e da opressão forem removidos, todas as formas de intolerância começarão a se desmanchar.

A luta pelos direitos das mulheres, pela igualdade, é uma luta pela libertação de toda a humanidade.

Texto baseado em declaração da CMI, disponível aqui.

Comentários
  • teesleeky
    Responder

    E daí, os opressores ficam bravos até mesmo pelo fato de os pobres coitados pedirem socorro a Deus na Avenida Sapucaí, pela libertação contra tamanha opressão, preferem o povo morrendo calado e derramando lágrimas igual carneiros.

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