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 em Blog, Joinville
Ulrich Beathalter

Udo-clientilismo

Desde que assumiu uma carreira política, Udo Döhler busca se diferenciar. Não faltaram bordões para isso. Já vimos vários: “Prefeito mãos limpas”; “Dinheiro não falta, falta gestão”; “Combate aos desvios de conduta”… Mas, afinal, até onde a gestão atual é tão diferente de outras?

Para se eleger, Udo Döhler assume compromissos e alianças com inúmeros partidos políticos, loteia cargos na Administração como sempre se fez na República tupiniquim. Portanto, desde o caminho para as eleições, as velhas práticas vêm se repetindo.

Depois de eleito, as queixas sobre a falta de dinheiro são constantes. Servidores são ameaçados de falta de pagamento. Várias medidas são anunciadas e executadas para cortar despesas – todas com reflexo na vida dos servidores de carreira e na qualidade do atendimento à população. Mas para os “amigos” e aliados políticos, não faltam benesses. O velho sistema clientelista continua a prática da gestão. Vejamos alguns exemplos:

  1. Udo mantém o pagamento de Adicional de Tempo de Serviço aos políticos indicados pelos aliados para cargos dentro da Prefeitura. Isso mesmo. A cada três anos, os “cabides” acumulam 6% de acréscimo aos seus já gordos vencimentos, como se servidores de carreira fossem.
  1. Um trabalhador que tenha atuado sob contrato temporário para a Prefeitura por algum período e depois assume vaga sob concurso público não leva o tempo de serviço temporário para sua carreira. Mas um comissionado qualquer, que mais tarde resolva assumir uma vaga efetiva sob concurso, tem reconhecido todo o tempo que trabalhou como comissionado na nova carreira efetiva. Ou seja, inicia a carreira já ganhando mais que seus colegas.
  1. Udo mantém a prática da incorporação do Adicional por Tempo de Chefia. Se um servidor de carreira se filia ao seu partido ou a um partido aliado e é recompensado com um cargo de confiança, leva a gratificação de chefia para o salário de carreira. Mesmo que deixe o cargo mais tarde, nunca mais deixa de receber a gratificação de chefe. E Esse valor é pago inclusive durante a aposentadoria.
  1. Se um servidor de carreira denuncia um problema no seu local de trabalho (falta de medicamentos, de material, de pessoal…) imediatamente é ameaçado com as famigeradas “medidas corretivas” ou abertura de processo administrativo. O tempo todo ocorrem transferências arbitrárias, destinadas a “punir” os que se atrevem a questionar, criticar ou se negam a ordens esdrúxulas. Quando um chefe é flagrado praticando o assédio moral, há um esforço desmedido na “operação abafa”. Na pior das hipóteses, coloca-se o chefe em outro ambiente, para continuar assediando outros servidores.
  1. Direitos estatutários dos servidores são cortados no “canetaço”. À população é vendida a ideia de que se reduziu o tamanho da máquina. Mas somente na Estratégia da Saúde da Família, a gestão de Udo Döhler criou 15 novas coordenações e três novas gerências. Antigamente trabalhávamos com 9 Regionais de Saúde, cada uma com apenas um coordenador. Udo Döhler criou 3 Gerências Distritais e, dentro delas, 24 coordenações, de forma a acomodar mais cargos e frear a sanha da “base aliada”.

Se Udo Döhler tinha razão em algo, é que não falta dinheiro. A manutenção do clientelismo e as benesses aos seus apadrinhados é a prova disso. De resto, não há nada novo em seu governo. É a repetição das velhas práticas, com rosto e discurso novos.

Por isso, cabe a todo servidor público de carreira denunciar essa situação e lutar pela manutenção dos seus direitos e em defesa do serviço público de qualidade para a população.

Todo trabalhador joinvilense é chamado para defender seus direitos também. O serviço público é uma necessidade e precisa ser defendido da pilhagem, do desmonte. Só teremos vagas para nossos filhos nos Centros de Educação Infantil e escolas e só teremos serviços de saúde de qualidade e em número suficiente para nossas necessidades se juntos defendermos o conjunto dos serviços.

Contra a privatização e terceirização.

Contra as práticas clientelistas.

Serviço público na mão dos servidores públicos de carreira.

Todos à paralisação no dia 15, 9h.

Exibindo 3 comentários
  • Oscar Abreu
    Responder

    Acho interessante a produção deste tipo de conteúdo. Para além de informes pontuais sobre o cotidiano, acredito que mais e mais o sindicato tem que ocupar esse espaço de narrar e avaliar os fatos e condutas da administração pública municipal. Vocês tem uma posição privilegiada neste cenário, pois estão todos os dias em contato com a realidade do serviço público oferecido à população joinvilense. Já faz algum tempo que a imprensa local se calou sobre este assunto e o nosso silêncio só beneficia esta gestão desastrosa. Temos que denunciar toda a precariedade e o sucateamento ao qual se submetem todos os dias os servidores públicos e a população. Se não tomarmos este espaço narrativo, certamente a administração municipal irá tomá-lo para si. Mesmo que cada cidadão individualmente saiba que toda essa Joinville cor de rosa que o prefeito narra na televisão não existe, é fundamental que eles saibam também que não estão sozinhos nessa opinião, pois quando não nos sentimos mais sozinhos é que temos força para transformar a realidade. Parabenizo a iniciativa e torço para que continuem com este tipo de produção de conteúdo. Invistam mais nisso que certamente o resultado virá.

  • Alexandre Schulz
    Responder

    Câmara de Vereadores completamente apática, silenciosa e alheia à Campanha Salarial 2018 – afinal de contas já foram beneficiados/silenciados/comprados pela PMJ respeitando a data base. Mas estes ilustres senhores e senhoras que foram eleitos pelo povo e para o povo, muitos deles e delas sem escolaridade, capacidade intelectual/cognitiva para assumir tal cargo continuam nos cargos e mantendo o desgoverno. É repugnante. Muitos com grandes e graves problemas para elaborar um texto, discurso, moção, pedido e afins.(salvem os assessores (as)).
    Seriam estes os que alimentam o sistema clientelista??

  • Alexandre Schulz
    Responder

    Gostaria de saber!
    E quanto ao compartilhamento de gestão entre unidades de ensino?
    Isso é possível, legal, ilegal, desvio de função, apadrinhamento, clientelismo, compra escancarada de apoio político partidário?

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