por
 em Blog
Ulrich Beathalter
Prestemos atenção em quem propõe privatizações imediatas e medidas para atender mais rápido aos banqueiros e milionários | Gilberto Soares - Futura Press

Prestemos atenção em quem propõe privatizações imediatas e medidas para atender mais rápido aos banqueiros e milionários | Gilberto Soares – Futura Press

Desde que a crise explodiu e se aprofundou no mundo capitalista, os grandes patrões declararam guerra aos trabalhadores, aos jovens e aos pequenos comerciantes. Vale tudo para manter e ampliar os lucros dos bilionários. No mundo todo, a ordem é destruir a Previdência e retirar direitos dos assalariados, privatizar os serviços públicos, ao passo que aos grandes grupos empresariais são concedidas anistias e reduções de impostos.

O resultado dessa guerra declarada é que nos últimos anos a riqueza das famílias mais ricas do planeta aumentou enormemente, ao passo que 1% da população hoje detém mais dinheiro e poder que todos os outros 99%. Ao povo sobrou o desemprego, a violência, a doença, a falta de educação, de moradia e a desesperança.

E é nesse cenário que chegamos a mais uma eleição “democrática”. Os banqueiros e grandes empresários precisam que continuemos acreditando no sistema manipulado por eles. Por isso, a cada quatro anos, o povo vota crente que pode fazer uma “mudança”. Poucos percebem o jogo de cartas marcadas: campanhas milionárias bancadas pelos poderosos, banqueiros ditando o Plano de Governo. Por isso os candidatos não tocam na raiz do problema. Não propõem cortar o pagamento de 50% do orçamento da nação para juros e amortização da dívida pública (mais de R$ 1 trilhão para os banqueiros e especuladores). Preferem nos distrair com propostas de pequenas economias caseiras que não tocam nem nos seus próprios privilégios. Já se perguntou como é possível um deputado, por exemplo, multiplicar seu patrimônio entre uma eleição e outra?  Seus discursos querem nos fazer acreditar que o problema da nação é o nosso 13º salário, nossas férias, nossa aposentadoria. É compreensível esse discurso. Estão servindo a seus senhores – a quem paga sua campanha e seus privilégios.

Suas estratégias são tão bem montadas que nos fazem duelar entre amigos, colegas de trabalho e na própria família. Perdemos um tempo precioso em debates moralistas, religiosos ou éticos pautados por quem não tem o menor pudor em propor piorar nossa vida para favorecer os banqueiros. Por isso as eleições não podem mudar nossa vida. Em alguns aspectos, nos fazem escolher entre a destruição imediata dos nossos direitos ou a aceitação de uma piora lenta e gradual das condições de vida e de trabalho.

A grande questão é que o Capitalismo não tem mais nada a oferecer para o conjunto da humanidade, a não ser guerras, ódio, morte, desemprego, violência, corrupção e até a diminuição considerável da capacidade intelectual coletiva da população. Sim. O pensamento livre e crítico é atacado. As chances do filho de um operário obter uma excelente formação teórica, filosófica e científica estão cada vez mais reduzidas. E isso desde os níveis mais fundamentais do ensino. É contra esse sistema de morte que precisamos lutar e não contra nós mesmos.

Um filme americano estrelado pela atriz Sandra Bulock já dizia que “se as eleições mudassem a vida das pessoas, elas seriam proibidas”. É hora de romper com as ilusões. É hora de se organizar, de estudar, de discutir. É hora de se preparar e defender o serviço público, gratuito e de qualidade para todos. É hora de defender nossos direitos, o futuro de nossos filhos e netos. É hora de construir uma nova sociedade em que a resolução dos problemas gerais das pessoas seja mais importante que o lucro de um fazendeiro, industrial ou banqueiro. Nenhum capitalista financia candidatos porque quer o melhor pra humanidade. O que ele quer é aumentar seu lucro. E, para isso, se preciso for, vai exigir leis flexíveis para seu negócio: seu “direito” de usar mais veneno nos alimentos, de diminuir salários e direitos dos trabalhadores, de não pagar impostos, de lucrar com nossas doenças, com nossa educação e transporte.

Olhemos o resultado do primeiro turno. Metade dos congressistas eleitos declarou patrimônio superior a R$ 1 milhão. No Senado, dois a cada três senadores são milionários. Os mais ricos venderam ao eleitor a imagem de “professores”, quando na verdade são empresários da educação – como Oriovisto Guimarães (PODE), fundador do grupo Positivo, com patrimônio de mais de R$ 200 milhões (noticias.uol.com.br). Que interesses esses burgueses vão defender? Teu salário, teu emprego, tua aposentadoria, teus direitos e benefícios? Vão lutar por leis que os levem a gastar mais com seus empregados?

Ao votar (ainda somos obrigados a isso) neste segundo turno, optemos, então, em barrar o projeto de ataque mais direto e mais duro aos nossos direitos, enquanto organizamos as forças para transformar a sociedade. Prestemos atenção em quem propõe privatizações imediatas e medidas para atender mais rápido aos banqueiros e milionários. Esse é o primeiro inimigo a ser derrotado.

Estamos em guerra. Paz entre nós. Guerra aos senhores. De que lado da trincheira você está?

Texto originalmente publicado no Jornal do Sinsej de outubro de 2017.

Deixe um comentário