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Flávia Antunes
A história das mulheres tem sido repleta de batalhas por melhores condições de vida e igualdade de direitos | Kályta Morgana de Lima

A história das mulheres tem sido repleta de batalhas por melhores condições de vida e igualdade de direitos | Kályta Morgana de Lima

Embora as eleições não resolvam os problemas fundamentais dos oprimidos e explorados, elas são um dos momentos em que mais nitidamente podemos defender uma política de classe. E neste ano, a opressão sofrida nessa sociedade pelas mulheres é um dos temas chaves, provocado sobretudo por posições defendidas por Jair Bolsonaro.

Esse é um assunto caro para nossa categoria, composta por mais de 80% de mulheres. Um exemplo disso foram as manifestações de 29 de setembro, com a palavra de ordem #EleNão. Em Joinville, foi expressivo o número de servidoras públicas que participaram da manifestação, demonstrando sua indignação frente a todo tipo de opressão (machismo, racismo, homofobia…). Opressões essas que, em última instância, são incentivadas para dividir a classe trabalhadora.

Se a história da humanidade é a história da luta de classes, pode-se dizer que a história das mulheres tem sido repleta de batalhas por melhores condições de vida, igualdade de direitos e superação de um modelo de família e de sociedade que não atende às suas necessidades cotidianas.

Dentro da classe trabalhadora, são as mulheres em sua maioria que enfrentam os desafios e a carga da dupla ou tripla jornada. De acordo com dados do IBGE, as mulheres continuam a ganhar menos (cerca de três quartos do que os homens recebem) e a gastar mais tempo com cuidados de familiares. As tarefas domésticas, que fazem parte do dia a dia de qualquer família, estão 73% sob a responsabilidade delas – em torno de 18 horas semanais para as mulheres e 10 horas para os homens.

Do ponto de vista da saúde, há o agravante da gravidez indesejada que não conta com acompanhamento físico e psicológico dentro do sistema público de saúde para uma possível interrupção. Nessa situação, desde muito cedo, são sempre elas que têm que equacionar a dura realidade das “escolhas” entre a maternidade, os estudos e o trabalho.

Nesse quadro de crise do sistema com políticas de austeridade, cortes de direitos, dilapidação do ensino e da saúde pública, alimenta-se o fosso existente entre homens e mulheres. Superar as contradições, os preconceitos e o conservadorismo, característicos da nossa sociedade, é tarefa de todos nós.

Por isso, o Sinsej apoia todas as servidoras em luta. Defendemos que a emancipação das mulheres está ligada à superação do atual modelo econômico – que se alimenta da exploração e da opressão – e que só será plenamente possível com a emancipação de toda a classe trabalhadora. Lutamos por trabalho igual, salário igual; vagas para todas as crianças em creches públicas; pelo desenvolvimento de políticas públicas para acolher e preservar a vida de mulheres e seus filhos vítimas de violência; em defesa do Estado laico e das liberdades democráticas; contra todo tipo de opressão e discriminação, entre outras pautas.

Este texto foi publicado originalmente como editorial do Jornal do Sinsej de outubro de 2017.

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