Neste dia 5 de dezembro, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville e Região (Sinsej) completa 30 anos. Acima de tudo, essa é uma data para relembrar as lutas e conquistas dos servidores de Joinville, Garuva e Itapoá ao longo da história.

Sindicato é muito mais que uma direção ou um prédio. Sindicato somos todos nós. E nesse quesito o Sinsej tem muito a comemorar. Desde a fundação da entidade os servidores demonstraram diversas vezes sua capacidade de organização, disposição para lutar e solidariedade com a luta dos trabalhadores e da juventude de todo o mundo.

Breve história do Sinsej

O Sinsej foi fundado em 1988. Já no ano seguinte foi realizada uma greve, ainda liderada por um movimento de oposição sindical. Em 1988, o Magistério conquistou seu plano de carreira, também sob liderança dessa oposição. Em 1992, uma nova direção assumiu o Sinsej e a categoria realizou a maior greve de sua história, de 42 dias. Em 1995, o mesmo grupo foi reeleito. Neste período, os servidores conquistaram o Plano de Carreira Geral e o Estatuto da Categoria.

Entre os anos de 1997 e 2010 o Sinsej passou por um período de estagnação e perda de diversos direitos, como o plano de carreira geral e perdas salariais. Em 2005, surgiu o Movimentação – um grupo de oposição, que organizou os servidores durante os ataques do governo de Marco Tebaldi, em 2008. Enquanto a direção do sindicato se omitia da tarefa de combate, o Movimentação lotou a Câmera de Vereadores diversas vezes. Só por isso as perdas não foram maiores.

Foi esse grupo que ganhou as eleições sindicais em 2011 e novamente em 2015. Desde então, a categoria retomou o histórico de lutas, conquistas e resistência.

Em 2011, os servidores de Joinville realizaram a segunda maior greve de sua história, com 40 dias de paralisação. Em 2013, cruzaram os braços por 12 dias e, em 2014, por 24 dias. Em 2017 duas pequenas greves de dois dias cada uma e diversas paralisações contra as reformas da Previdência, Trabalhista e do Ensino. Em 2018, uma greve de cinco dias e outra de um dia foram realizadas (leia sobre esta última vitoriosa greve aqui).

Como resultado desses movimentos, os servidores impediram a retirada de muitos direitos, ampliaram benefícios e conseguiram iniciar a recuperação de perdas salariais. Até 2010, havia 44,16% de perdas salariais acumuladas. De 2010 a 2016, esse número caiu para 36,80%.

Garuva e Itapoá

Em 2011, o Sinsej ficou ainda mais forte com a extensão da base para as cidades de Garuva e Itapoá. Desde então, os trabalhadores dessas cidades têm se mobilizado, alcançado diversos avanços e resistido aos ataques dos governos.

Em 2016, os servidores de Itapoá realizaram duas greves. Eles lutavam contra o descumprimento de acordos da Campanha Salarial, entre eles, a reposição da inflação. Depois desse período, a categoria saiu vitoriosa e ainda mais unida. Além de diversos avanços sociais, os trabalhadores conquistaram a criação de um novo Estatuto e reduziram as perdas salariais de 41,16% para 28,73%. Nesta cidade, os servidores lutam ainda pela aprovação de um novo Plano de Cargos e Carreiras (PCCs).

Em Garuva, as perdas acumuladas até 2011 eram de 78,86%. Hoje, já houve redução para 65,33%. Em 2016, uma dura intervenção do Sinsej ao lado da categoria barrou a criação de um Instituto Próprio de Previdência – que colocaria a aposentadoria dos servidores ainda mais em risco – e a retirada de vários direitos do Estatuto dos Servidores.

Unidade, organização e luta

No decorrer da história de nossa categoria, cada vez mais companheiros compreendem que é preciso lutar não só pelo aumento de salários, mas por condições dignas de trabalho, pela defesa do serviço público e pela construção de um mundo melhor.

O desenvolvimento da cultura de assembleias e congressos, bem como a criação do Conselho de Representantes por Local de Trabalho, demonstra o amadurecimento político e democrático da categoria. Estas instâncias de deliberação foram formalizadas na reformulação do Estatuto do Sinsej, que aconteceu em 2011.

Nos últimos anos, com o aprofundamento da crise financeira internacional, os trabalhadores de todo o país vêm sofrendo duros ataques. Entre os principais, que afetam todo o serviço público, estão: a lei de teto de gastos, a lei da privatização sem limites, a Reforma Trabalhista, a Reforma do Ensino e o risco de aprovação da Reforma da Previdência.

Junto com os trabalhadores e a juventude de todo o país, a os servidores de Joinville, Garuva e Itapoá foram à luta em defesa da manutenção desses direitos históricos. Isso é motivo de orgulho para cada servidor.

Liberdade e independência sindical

Outra importante defesa do Sinsej, implantada na prática, é a liberdade e independência sindical. Desde 2012, a entidade vinha ofertando a devolução do Imposto Sindical, pois sua direção compreendia que as entidades de classe deveriam ser independentes do Estado e sustentadas voluntariamente por sua base – o que só ocorrerá onde houver direções realmente comprometidas com os trabalhadores.

Foi essa postura que permitiu que, após a aprovação da Reforma Trabalhista, o Sinsej permanecesse um sindicato forte e de luta.

Por toda essa história, o Sinsej deixa um legado de extrema importância para a classe trabalhadora: de enfrentamento, coragem e luta em defesa de uma sociedade mais justa e igualitária.

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