por
 em Regional

A afirmação veio do Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, em sua entrevista ao jornal Valor Econômico, divulgada na segunda-feira (28/01). O ministro também defendeu a criação de cursos técnicos – um dos pilares da Reforma do Ensino Médio, aprovada por Temer no ano passado – para “reequilibrar” as contas das universidades.

Indicado por Olavo de Carvalho ao cargo, o ministro Rodriguez afirmou que a ideia de uma universidade para todos não existe e que os jovens devem entrar rapidamente para o mercado de trabalho, ficando o ensino superior reservado à “elite intelectual”. Segundo ele, é preciso investir em cursos técnicos para evitar o que chamou de “desperdício de tempo nas faculdades”. Para ilustrar seu pensamento, usou o exemplo de um estudante de Direito que se torna motorista de Uber: “…esse cidadão poderia ter evitado perder seis anos estudando legislação”, disse.

Na entrevista, Rodriguez afirma que sua primeira ação à frente da pasta deverá ser o programa “Alfabetização Acima de Tudo”. Este projeto ficará a cargo de Carlos Francisco de Paula Nadalim, Secretário de Alfabetização. A principal qualificação de Nadalim é a gestão de uma escola em Londrina de sua própria família e a produção de vídeos e postagens na internet, onde critica a educação contextualizada e afirma que a construção de uma sociedade igualitária é um “exagero”.

Inimigos da educação e dos trabalhadores

Por intermédio do ministro Rodríguez, o governo federal deixa claro como tratará a educação, a juventude, os trabalhadores e o serviço público no país. A defesa de um ingresso prematuro no mercado de trabalho, combinado à Reforma Trabalhista, tem por objetivo criar mão de obra barata e precarizada. Se somarmos a isso a privatização, o congelamento de gastos e a destruição da educação pública, estudantes e professores não poderão se manifestar graças às iniciativas como o “Escola sem Partido”, que tacha como “doutrinação” os levantes contra o governo ou as discussões sobre políticas que afetam a população.

Ao contrário do que afirmou o ministro em sua entrevista, o Sinsej acredita que a educação pública deve ser, sim, para todos. O sindicato crê que os governos deveriam se preocupar em democratizar o já seletivo acesso ao ensino superior, e não torná-lo ainda mais excludente. A juventude brasileira não faz parte de nenhuma elite defendida pelo governo, mas de uma classe, que, junto aos professores, move o mundo: a classe trabalhadora.

A entrevista pode ser lida aqui.

Texto disponível em Sinte Joinville.

Deixe um comentário