Um ato de abraço ao Cesita – Centro Educacional e Social do Itaum mobilizou na noite de ontem professores, funcionários, alunos, pais, comunidade e lideranças sindicais em defesa do Centro Educacional ameaçado pelo desmonte do ensino público. A exemplo dos governos federal e estadual, a prefeitura de Joinville ameaçou acabar com os cursos profissionalizantes, comunicando que não abriria mais vagas para o 2º semestre. A mobilização e organização do Sinsej fizeram com que a situação fosse revertida e a oferta dos cursos para a comunidade fosse mantida.

O objetivo do governo municipal era fechar os cursos técnicos e transformar o CESITA em um polo do EJA, acabando com os núcleos de Ensino de Jovens e Adultos espalhados pela cidade. Assim que professores, pais, alunos e a comunidade tomaram conhecimento da tentativa de desmonte, teve início uma ampla mobilização em defesa do Centro. “São 53 anos mudando a vida de muitas pessoas para melhor, dando oportunidade a quem jamais teria acesso se o ensino não fosse gratuito. Não podemos permitir que acabem com o Cesita”, destaca a presidenta do Sinsej Jane Becker.  São mais de 700 alunos atendidos todos os anos por instrutores preparados, possibilitando uma oportunidade de se preparar para o mercado de trabalho e melhorar a renda familiar.

Constrangidos e acuados pela direção do Cesita, aos poucos estudantes e professores foram se juntando a comunidade que se aglomerava a frente do prédio na chuva, impedidos de entrar pelas grades fechadas. Os depoimentos de atuais e ex alunos, professores e da comunidade deixaram clara a importância do centro na vida das pessoas. “Vim abraçar o Cesita porque o Cesita me abraçou, abrindo uma oportunidade”, declarou o estudante de desenho técnico Evandro Nunes. “Nós já havíamos combinado de dar continuidade ao estudo quando soubemos que não teria mais o curso. Hoje vocês fizeram não só por nós, mas pelo futuro de nossos filhos”, afirmou Luiz Fernando Pereira, colega de Evandro. O estudante Matheus Ruan lembrou que o Cesita não é qualquer escola: “Isso aqui é o meu futuro, o nosso futuro. Aqui temos uma excelente oportunidade”. Seu depoimento foi seguido pela fala emocionada de seu colega Iuri Nei de Oliveira: “Eu vi a vida de muitas pessoas mudar aqui”.

As mobilizações e a pressão popular feita junto à Comissão de Educação da Câmara e à Secretaria Municipal de Educação fizeram com que a prefeitura recuasse e mantivesse os cursos no segundo semestre. A Secretária de Educação garantiu que as matrículas estão mantidas para o período de 8 a 12 de julho e que as aulas terão início em agosto. “Se no dia 5 de agosto as matrículas não forem garantidas nós estaremos aqui na luta em defesa do ensino público, gratuito e de qualidade para todos os filhos e filhas dos trabalhadores, porque é um direito nosso conquistado por cada um de nós”, ressaltou Jane durante o ato na noite de ontem.

 

 

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