A direção do Sinsej se reuniu na noite de 11 de setembro com cozinheiras para dialogar sobre as condições de trabalho, ouvir e traçar ações sobre as demandas da categoria. O cargo de cozinheira (merendeira) foi extinto em 2013 pelo governo Udo Döhler e desde então uma empresa terceirizada supre a demanda dos locais de trabalho em que não há profissional concursada. O Sinsej foi representado pelas diretoras Aline Dutra, Flávia Veiga e Elisete Ferreira Silveira, pelo diretor Humberto Pires Júnior e pelo advogado da entidade Marlon Moraes.

A extinção do cargo e a terceirização iniciada em 2015 fizeram com que, em dezembro de 2017, cozinheiras de diversos Centros de Educação Infantil (CEI) de Joinville fossem remanejadas sem consulta prévia, em um processo arbitrário de escolha de vagas. A intenção do governo em deixar somente terceirizados ou concursados em cada unidade ignorou o tempo de serviço das trabalhadoras, os vínculos afetivos com as crianças a quem atendiam e a mobilidade das servidoras até o local de trabalho. A decisão de privatizar o trabalho nas cozinhas tem gerado outros desgastes. Uma das denúncias é a de que quando uma trabalhadora terceirizada pega atestado, a empresa não estaria fazendo a substituição, acarretando no acúmulo de função e na sobrecarga de trabalho para as cozinheiras. “Estamos escravizadas dentro da escola! Somos as últimas a sair, sofrendo muitas cobranças pela responsabilidade do cargo que exercemos. Mas o reconhecimento e o respeito são bem desproporcionais”, declarou uma servidora que não quis se identificar, mas faz questão de salientar que está na rede há 20 anos. Um mapeamento dessas denúncias está sendo feito para que a direção cobre uma atitude da prefeitura em suprimir esta demanda.

O alto índice de cozinheiras afastadas para tratamento médico é outro reflexo da política privatista do prefeito Udo Döhler. Das 279 cozinheiras concursadas, 63 estão afastadas em decorrência de doenças adquiridas no exercício da função. Entre as Agentes Operacionais 1 – Serventes, que também exercem a função de cozinheiras, 8 das 14 estão em tratamento, sem contar o expressivo contingente de profissionais remanejadas. A falta de realização de concurso é o causador de maior parte do desgaste a que estão expostas, pois o modelo de terceirização prega a redução das equipes, gerando excesso de responsabilidade, desvios de função e jornadas exaustivas em ambientes, na maioria das vezes, pouco ventilados. Por isso a direção do Sinsej se mantém firme na luta pela imediata realização de concurso. “Estes relatos tornam ainda mais urgente a realização de processo que promova o acesso de servidores efetivos. Já está mais do que comprovado que privatizar e terceirizar não é a solução, pelo contrário. Este modelo precariza as condições de trabalho e prejudica consideravelmente o serviço público prestado para a sociedade”, declarou a diretora sindical Elisete Ferreira Silveira.

Outro fator denunciado por elas foi a falta de reconhecimento do direito da categoria à adicional de insalubridade em virtude da exposição alternada ao frio e ao calor, sem proteção. A prefeitura por hora se exime do pagamento alegando que a constatação de que o trabalho estaria sendo realizado nestas condições somente pode se dar por meio de laudo pericial assinado por médico do trabalho ou por engenheiro de segurança do trabalho. Ao ser cobrado durante as negociações da data-base, o governo declarou que estaria providenciando uma vistoria em todos os setores da prefeitura, mas se esquivou em confirmar se as cozinhas estariam incluídas. A direção do sindicato afirmou que está sendo incisiva na cobrança pela inclusão das cozinheiras nos laudos, ao mesmo tempo em que, junto do departamento jurídico, vêm estudando outras formas de garantir, para as trabalhadoras, o acesso a este direito.

As cozinheiras relataram também a dificuldade em acessarem o SEI – Sistema Eletrônico de Informações que gerencia todos os processos e documentos dos servidores. “Ou nos dão uma ferramenta que a gente consiga acessar e entenda como usar, ou encontram outra forma porque como está hoje precisamos nos humilhar para termos acesso ao SEI”, declarou Luciana Machado Goulart.

A direção do Sinsej irá exigir que o governo tome providências e garanta condições dignas de trabalho para as cozinheiras. O momento requer união na luta pela valorização da categoria e a adesão de todas as servidoras será fundamental.

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