Neste difícil momento em que vivemos as incertezas e as apreensões decorrentes da pandemia de COVID-19 em todo o mundo e no Brasil, o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite de ontem (24) nos causou ainda mais preocupação. Ao incentivar a população a desobedecer às medidas de isolamento adotadas por autoridades estaduais e municipais para combater o coronavírus, Bolsonaro desrespeita as orientações de autoridades médicas e da Organização Mundial da Saúde que afirmam que do ponto de vista científico-epidemiológico, o distanciamento social é fundamental para conter a disseminação do novo coronavírus quando ele atinge a fase de transmissão comunitária, como é o nosso caso.

O Brasil está numa curva crescente de contágio. O número de mortos por causa do novo coronavírus subiu 36% em relação ao balanço anterior, somando 46 mortes e 2.201 casos confirmados, dobrando o número de infectados a cada três dias. Na segunda-feira (23) o total de mortes era 34. Em Santa Catarina o governo do Estado confirma 109 casos de Covid-19, conforme boletim de atualização divulgado nesta terça-feira (24). Segundo dados da Prefeitura de Joinville divulgados na noite de ontem (24) há 4 casos confirmados e 42 aguardando exame.

Segundo nota de esclarecimento divulgada pela Sociedade Brasileira de Infectologia sobre o pronunciamento de ontem do presidente Bolsonaro, “quando a COVID-19 chega à fase de franca disseminação comunitária, a maior restrição social, com fechamento do comércio e da indústria não essencial, além de não permitir aglomerações humanas, se impõe. Por isso, ela está sendo tomada em países europeus desenvolvidos e nos Estados Unidos da América. […] A epidemia é dinâmica, assim como devem ser as medidas para minimizar sua disseminação. ‘Ficar em casa’ é a resposta mais adequada para a maioria das cidades brasileiras neste momento, principalmente as mais populosas.”

Portanto, neste momento, é preciso dar ouvido às autoridades médicas, estas sim com conhecimento e preocupação com o que tem de mais importante neste momento: a preservação da vida das brasileiras e dos brasileiros. Postura distante da adotada pelo presidente Bolsonaro que tem se mostrado na contramão do mundo, servindo única e exclusivamente aos interesses dos empresários, preocupados em manter seus lucros em detrimento à saúde do povo. Prova disso foi a publicação da Medida Provisória nº 927 que em seu artigo 18º permitia ao empregador “suspender” os contratos de trabalho e os salários por até quatro meses, passando a falsa ideia de que a preservação do emprego seria mais importante que a manutenção da renda das trabalhadoras e dos trabalhadores.

Ainda que a pressão popular o tenha feito recuar deste artigo, a MP foi mantida e suas maldades já estão sendo colocadas em prática por muitos patrões, como antecipação de férias individuais, banco de horas, dispensa de recolhimento do FGTS, entre outros, deixando a classe trabalhadora em uma extrema situação de risco social no momento em que ela mais precisa do Estado. Portanto o momento agora é de recolhimento social sim, mas também de resistência, denúncia, solidariedade e pressão. Não vamos aceitar mais este golpe do governo Bolsonaro, inimigo da classe trabalhadora, em favor aos grandes empresários.

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