A direção do Sinsej vem a público repudiar as declarações do prefeito patrão Udo Döhler durante coletiva de imprensa após participar de reunião com o governador Carlos Moisés na Associação Empresarial de Joinville (ACIJ) na manhã desta quarta-feira (27).
Totalmente desconecto com a drástica realidade provocada pela Covid-19 na cidade, Udo defendeu que é “essencial que o vírus alcance a população como um todo”, menosprezando o fato de Joinville ser a cidade que mais registrou mortes até agora pelo novo coronavírus no estado, batendo a marca de 20 vidas perdidas. Mas para o prefeito este é um número “relativamente pequeno de mortes” e não escondeu o seu desejo: “esperamos que possa até multiplicar em função da proximidade do inverno”. Na sequência o prefeito patrão admitiu que há uma subnotificação de casos do coronavírus em Joinville. A estimativa é que haja 10 vezes mais doentes do que mostram os dados oficiais, o que significaria 3,7 mil registros da doença.
A sequência da entrevista não foi menos revoltante! No dia em que a cidade lamentava a morte de um jovem enfermeiro vítima do coronavírus, o prefeito Udo Döhler declarou que “ninguém morre abaixo de 60 anos”, tentando maquiar a realidade para justificar sua real intenção: liberar o retorno da Educação Infantil no município. “Quando falamos de volta da educação, falamos essencialmente de nossas creches. Crianças estão mais vulneráveis em casa”, declarou! Colocando seus interesses econômicos acima das vidas, se eximindo de sua responsabilidade como gestor público, tentando manipular as informações para justificar a reabertura das creches e, consequentemente, o retorno de milhares de mulheres para as fábricas, inclusive a sua.
Na contramão dos protocolos defendidos pela OMS, o prefeito patrão demonstra sua pior face: a do empresário preocupado exclusivamente em manter seus lucros milionários em detrimento à vida e à saúde da população. A direção do Sinsej repudia tal postura alerta para os números: a mortalidade por Covid-19 entre os jovens brasileiros é quase dois terços superiores à verificada nos países ricos, revela uma análise feita com pelo demógrafo francês Christophe Guilmoto, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) da Universidade de Paris para o G1. Proporcionalmente, há também mais mulheres entre as vítimas brasileiras do novo coronavírus, embora em todos os países a maioria dos mortos seja masculina.
Não podemos aceitar que Joinville agrave ainda mais a situação do estado que já confirma 7.372 casos e 126 óbitos por Covid-19. São vidas, não números! São 126 famílias que sofrem a perda precoce e inesperada de pessoas que lhe são queridas! Por isso a direção do Sinsej repudia esta postura cruel do prefeito e conclama a categoria a pressionar o governo para que não retome as aulas na Educação Infantil neste momento em que nos encaminhamos para o pico de contaminação pela Covid-19. Nossas vidas valem muito!

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